AÇÚCAR - DOCE VENENO


O açúcar é essencial para manter o organismo funcionando. Mas, dependendo da sua origem e composição, da quantidade diária ingerida e até do perfil de quem o consome, pode gerar conseqüências bem amargas para a saúde - desde cáries e enxaqueca até osteoporose, diabetes, obesidade, perda de memória e câncer.
Tudo o que comemos se transforma em glicose, proteína e gordura.

A glicose - o açúcar dos alimentos naturais encontrados em legumes, verduras, frutas, cereais, etc., - não causa males à saúde.

O problema está nos alimentos industrializados que contém grandes quantidades desse doce veneno chamado açúcar. Aqui, no país que é o maior exportador de açúcar do mundo, o índice chega a 35 quilos. Mas há quem devore diariamente 300 gramas de açúcar. Um homem, sozinho, pode chegar a consumir até 10 quilos mensalmente.

Uma pessoa de classe média consome 150 gramas de açúcar diariamente, mesmo sabendo que ele afeta o pâncreas, o baço, os pulmões, o coração, o estômago, os intestinos, a circulação, o fígado, a pele, os ovários, a vagina, os dentes, os ossos, os olhos, o cérebro e a alma.

Além disso, está provado cientificamente que o açúcar causa uma certa apatia, explicada pelo encontro da insulina com um aminoácido chamado triptófano, que é rapidamente convertido no cérebro em serotonina, um tranqüilizante natural. Por isso, sempre que um pessoa está nervosa, nós oferecemos a ela "um copo de água com açúcar que passa".


As doses diárias de açúcar não deveriam ultrapassar 10% do total de calorias consumidas no dia. Cada colher de sopa de sacarose contém cerca de 80 calorias. Níveis razoáveis de consumo que variam de acordo com a idade do consumidor, da quantidade calórica que ingere e da que ele gasta (com atividades físicas, por exemplo). Mas, no geral, as doses devem ser bem reduzidas. Crianças e idosos deveriam consumir no máximo 50 gramas de açúcar diariamente. Adolescentes, 75 gramas, enquanto que para os adultos esse valor-limite seria de 60 gramas para as mulheres e 70 para os homens.

Açúcar que não se vê

Quando se fala em açúcar, você logo pensa em guloseimas, como brigadeiro, balas e pirulitos? Doce engano... Apresentado de inúmeras formas e usado não apenas como adoçante, mas também conservante, um verdadeiro batalhão de açúcares é encontrado nos mais diversos alimentos, até mesmo naqueles que as pessoas menos imaginam. É o caso dos biscoitos salgados, molho de tomate, maionese, ketchup, ervilha e milho em conserva, massa de pizza, cereais matinais e pães em geral. Nem remédios (xaropes, vitaminas, comprimidos) e creme dental escapam da presença da sacarose.

E o pior: dificilmente os consumidores conseguem identificar a quantidade de açúcar adicionada à fórmula - até porque a lei só obriga uma referência na embalagem quando o produto é diet (sem açúcar) ou light (com uma porcentagem menor de calorias), sem maiores detalhes. Uma análise recente de 110 alimentos industrializados, realizada pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco Proteste), e publicada na revista da entidade, a Teste Saúde, concluiu: os fabricantes abusam dos açúcares e, na maioria dos casos, não indicam a respectiva quantidade nos rótulos. Assim, muita gente fica sem saber que em uma lata de refrigerante pode ser encontrado o equivalente a cinco pacotes do açúcar, daquele usado para adoçar o cafezinho. Enquanto uma dieta que inclua cereais pela manhã e ao longo do dia algumas bolachas, um refrigerante, um leite achocolatado e uma fatia de doce pode levar a ingestão de quase 90 gramas de sacarose.

Esses açúcares adicionados durante o processo de fabricação de boa parte dos produtos encontrados nos supermercados são chamados de extrínsecos. Mas, para piorar a situação dos apreciadores de guloseimas, há ainda os intrínsecos, aqueles que fazem parte da estrutura natural dos alimentos. Esses açúcares, assim como a sacarose, também são identificados pela terminação 'ose'. Frutas, vegetais e mel, por exemplo, além das vitaminas, são doces por natureza graças à presença da frutose. O leite e seus derivados, possuem a lactose. E o malte de trigo e a cevada, a maltose, essencial na produção de cerveja.
Por isso tudo, aquela história de não ficar com peso na consciência depois de devorar alguns doces e beber com os amigos no fim-de-semana, para algumas pessoas, pode ser uma verdadeira roubada. Essas escapadas, muitas vezes, significam a cota que faltava para aumentar a concentração de glicose no sangue - e com isso provocar uma série de distúrbios metabólicos e doenças.

Até mesmo os adoçantes favorecem o aumento de peso quando usados além da conta. O diferencial está muito mais associado ao processo pelo qual cada um passa antes de chegar à mesa. A regra é simples, quanto mais industrializado, pior. Os açúcares considerados naturais (frutose, mascavo, demerara, orgânico) pelo menos preservam as vitaminas e minerais. Já o refinado, perde todos os seus nutrientes durante a fabricação. Aliás, ainda conta com a adição de produtos químicos, entre eles o enxofre (acrescentado durante a etapa de clarificação do melado de cana, que é bem escuro). Acima dos limites toleráveis, essa substância pode ocasionar reações alérgicas e dores de cabeça nos consumidores.

O aumento de peso, portanto, é uma das primeiras conseqüências de um desequilíbrio na quantidade de açúcar na alimentação. O risco de desenvolver um diabetes vem depois. Estudos publicados afirmam que os estragos proporcionados pelo abuso das substâncias cujos nomes terminam em 'ose' vão além de males compreendidos pelo senso comum. Há autores que afirmam que uma colher de chá de açúcar refinado, por exemplo, é capaz de roubar minerais do organismo durante mais de três horas seguidas, entre elas a vitamina B (o que pode provocar a descalcificação dos ossos e, mais tarde, a osteoporose).


O açúcar também é alimento predileto de bactérias presentes na cavidade bucal, o que favorece à formação de cáries. De fácil absorção, ele é um enganador da fome, porque proporciona a sensação de que estamos saciados, estimulando a pessoa a reduzir a ingestão de outros nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo. O açúcar também aumentaria a produção de estrogênio - o que nas mulheres pode levar, entre outros problemas, ao aumento do risco para o câncer de mama. Já nos homens, a elevação do hormônio está entre as causas da diminuição da potência sexual.

fonte: Viva Saúde