Homeopatia é um conjunto organizado de conhecimentos médicos, obtidos mediante a observação, a experimentação e um método próprio.

Ela tem, em sua base, uma concepção filosófica vitalista. O vitalismo é uma doutrina biológica que considera que existe uma força análoga à alma, mas diferente dela, que chama-se princípio (ou energia) vital e que conduz todos os fenômenos (biológicos ou não) que se passam tanto na pessoa sadia como na enferma.

Isto significa que, do ponto de vista homeopático, o homem não é um conjunto de reações químicas ou uma engrenagem que funciona mecanicamente. Há uma realidade além da biológica.

Disto decorre que a forma homeopática de definir saúde e doença relaciona-se mais a uma noção de equilíbrio e harmonia da energia vital refletindo no estado do indivíduo como um todo do que na presença ou ausência de sintomas físicos. Atenção, eu não estou dizendo que o sintoma físico não é importante, em um tratamento homeopático. Mas sim que ele é a expressão de um desequilíbrio maior, que, este sim, precisa ser tratado para que uma cura real ocorra. Tratar sintoma sem resolver o desequilíbrio que o causa não é curar, é paliar.

O Criador da Homeopatia

Christian Frederick Samuel Hahnemann, nascido em 10 de abril de 1755, em Meissen na Saxônia (ao leste da atual Alemanha) foi médico sanitarista formado pela Universidade de Leipzig, com amplos conhecimentos de química e farmacologia.

Como falava nove idiomas, fazia traduções para se manter durante o curso de Medicina.

Com isso, entrou em contato com autores tais como Hipócrates, Demócrito, Stahl, Lineu, Paracelso, entre outros que o influenciaram rumo a uma concepção vitalista e espiritualista.



Depois de formado trabalhou como médico tradicional, porém, insatisfeito com a medicina que era praticada na época (sangrias, vomitórios e toda sorte de tortura em nome da cura) abandonou seu ofício e voltou a dedicar-se às traduções.Foi quando, em 1790, traduzindo uma obra de Cullen em que ele descrevia os efeitos da quina, substância usada na época pelos nativos do Peru para tratar malária, observou que os efeitos descritos eram exatamente iguais aos sintomas da malária. Voi lá! A lei dos semelhantes que Hipócrates havia mencionado. Iniciou estudos intensos com experimentação de substâncias primeiro em si depois nos seus colaboradores. Foram anos de trabalho, estudo, observação e reflexão até que, em 1796, publicou o primeiro artigo em que contestava o modo como o conhecimento em medicina vinha sendo acumulado e praticado e, pela primeira vez, apresentou ao mundo a homeopatia.

É claro que ele foi perseguido, hostilizado, sofreu pressões de todos os lados, principalmente da classe médica, refratária a modificações do status quo, mas prosseguia, convicto da verdade que havia descoberto. Teve que deixar seu país natal e exilar-se em Paris, em 1935. Lá, apesar da sua avançada idade e do cansaço, continuou suas investigações e pesquisas, reunindo uma quantidade cada vez maior de médicos adeptos ao novo método. Na capital francesa manteve sua prática médica, atendendo pacientes até o fim de sua vida em 1843, quando morreu aos 88 anos de idade.