O MAR DE ROSAS

Há um ditado que diz que a vida não é "Um Mar de Rosas". Apesar de consagrado pelo uso popular, eu gostaria de tomar a liberdade de discordar e sugerir um outro olhar sobre esta metáfora.

Vamos pensar nas pétalas. Possuem colorido diverso como são diversas as "cores" dos fatos e sensações que experienciamos na vida. Algumas são tão intensas ou lindas que não saem mais de nossa lembrança. Outras são menos marcantes mas nos acrescentam suavidade e singeleza.


A
suprema maciez das pétalas também correspondem às experiências táteis que a vida nos proporciona e às quais, nem sempre, damos a atenção e o valor merecidos.

Abraçar um amigo, um amor, um desconhecido. Acariciar e ser acariciado pelo seu bichinho de estimação. Sentir a pele impressionante dos bebês, sentir a sua própria pele, a brisa, a água, o sol. São tantas e tão deliciosas as sensações!

Quantos cheiros você tem guardado em sua memória? São os perfumes das rosas da vida. Cientistas comprovaram recentemente o que todos nós já sabemos experimentalmente: que o olfato é uma das maiores formas através da qual o cérebro guarda as lembranças. Quem já não sentiu cheiro de pão caseiro e foi, imediatamente, transportado de volta a infância quando a avó preparava o lanche da tarde para a meninada? E o cheiro daquela pessoa que você tanto ama ou amou, não é imediatamente reconhecido? Cheirar é guardar na memória e também é reviver. Preste mais atenção aos odores eles são mágicos.

Por último o "Mar de Rosas" tem, sim, seus espinhos que as vezes machucam e deixam marcas . Ele são aprendizados necessários e contraponto fundamental da beleza, da maciez e do perfume. Como saber da luz sem a experiência da escuridão?

A vida é um mar de rosas. Valorizar os espinhos e seus desconfortos ou as pétalas e suas delícias é uma escolha pessoal que vai determinar a sua forma de navegar . Desta escolha depende toda a viagem.

Um abraço,

Dra Marta Tornavoi