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Não que esta abordagem não seja bem intencionada
nem tenha seu mérito, mas é por demais reducionista.
O corpo não é só uma máquina. O ser
humano não é só corpo físico. Saúde
não é só ausência de doença. O
ser humano não é matematicamente previsível.
Cada pessoa é única, é individual. As doenças
nunca são iguais porque os seres que as contém são
diversos.
Há muitos problemas advindos deste paradigma materialista
da medicina tradicional. Por exemplo: existem muitas manifestações
físicas que não conseguem ser enquadradas em nenhuma
patologia. Não obstante, as pessoas sofrem com os sintomas
e peregrinam por uma infinidade de especialistas sem resposta para
seus sofrimentos simplesmente por que o que eles sentem não
se encaixa nas classificações. O mais cruel é
que, como não se trata de "uma doença",
os pacientes têm a terrível sensação
de que a culpa é deles pois o que sentem é "psicológico",
é "frescura". Olha que confusão!
Do ponto de vista da nossa abordagem terepêutica global,
a doença traduz um desequilíbrio e este pode ser manifesto
das formas mais peculiares possíveis. Saúde, por outro
lado, é a capacidade de recuperação do equilíbrio.
Um processo dinâmico, nunca estático.
Tratar é uma arte muito mais requintada do que supõe
nosso senso comum.
A doença é apenas uma parte. Como a ponta visível
de um iceberg cuja base enorme mantém-se submersa e invisível.
Por isso, num tratamento, o indivíduo como um todo (corpo,
mente e alma) não pode, em hipótese alguma, ser desconsiderado
porque, não importa quão grave seja a sua patologia,
o ser humano que a contém é sempre maior, mais complexo
e mais importante que ela.
Nós, médicos (e pacientes) temos que ter coragem
e habilidade para mergulharmos no oceano misterioso e profundo da
natureza humana atrás da estrutura basal deste iceberg, só
assim teremos a possibilidade de eliminá-lo por completo,
e então, verdadeiramente curar.
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